Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a direcionar críticas ao norte-americano Donald Trump durante o 60º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), realizado em Goiânia.
Ele afirmou que irá adotar medidas para tributar as grandes empresas digitais dos Estados Unidos que atuam no país, num gesto de resposta ao tarifaço imposto pelo governo Trump às exportações brasileiras.
Lula demonstrou insatisfação com a postura dos EUA diante das tentativas de diálogo do governo brasileiro. “Não recebemos nenhuma resposta. A resposta que nós recebemos foi a matéria publicada no jornal, no email dele, no Zap [WhatsApp] dele, no portal dele, porque ele não se dignou nem sequer a mandar uma carta”, reclamou, referindo-se à ausência de retorno após o Itamaraty ter enviado uma carta oficial à Casa Branca nesta semana.
O petista também ironizou a justificativa de Trump para adotar as tarifas contra o Brasil, citando a amizade do ex-presidente norte-americano com Jair Bolsonaro (PL).
“Eu tenho certeza de que o presidente americano jamais negociou 10% do que eu negociei na minha vida”, declarou Lula, sugerindo que a decisão teve motivação política, e não econômica — argumento sustentado pelo Planalto desde o anúncio das tarifas.
Em tom enfático, Lula disse que não aceitará ingerência externa: “Não é um gringo que vai dar ordem a esse presidente da República. Não é. Eu sei quem eu devo respeitar nesse país, eu sei quem é que manda nesse país, eu sei quem faz esse país ser o que é: o nome dessa pessoa só tem quatro letras, chama-se povo brasileiro.”
O presidente também reforçou que irá enfrentar as plataformas digitais que, segundo ele, atuam sem regulamentação e promovem desinformação.
“Eu queria dizer para vocês que a gente vai julgar e vai cobrar imposto das empresas americanas digitais. Nós não aceitamos, em nome da liberdade de expressão, você ficar utilizando [as redes] para fazer agressão, para fazer mentira, para prejudicar”, prometeu. (Foto: Palácio do Planalto)

