A situação financeira dos Correios atingiu um novo ponto crítico. A empresa estatal registrou prejuízo de R$ 1,72 bilhão entre janeiro e março de 2025, mais que o dobro do resultado negativo do mesmo período do ano anterior, que foi de R$ 801 milhões. Segundo dados analisados pelo jornal O Globo, esse é o pior desempenho da estatal para um primeiro trimestre desde 2017.
Diante da redução nas receitas, da intensificação da concorrência no setor logístico e do aumento das despesas, a empresa se tornou um foco de preocupação dentro do governo Lula. Trabalhadores e prestadores de serviço relatam atrasos nos pagamentos a fornecedores, falhas na manutenção de unidades e escassez de materiais básicos em diversas regiões do país.
Apesar do cenário, a empresa declarou, em nota, que “a continuidade operacional dos Correios está assegurada para o ano de 2025” e reforçou que, por se tratar de uma estatal, a legislação garante a estabilidade de suas atividades mesmo diante de dificuldades econômicas. A companhia afirma estar adotando medidas de contenção de despesas, revisão de contratos e pagamentos escalonados a fornecedores.
Mas um ponto levantado por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) agrava ainda mais o quadro. Relatório preliminar aponta que a empresa utilizou um procedimento contábil fora das normas técnicas ao excluir uma despesa de R$ 1,032 bilhão em 2023.
A quantia havia sido reservada para cobrir um possível pagamento de adicional de periculosidade a funcionários que atuam em áreas externas. A estatal, no entanto, transformou a provisão em um valor simbólico de apenas R$ 18, com base em uma liminar judicial e no número de ações coletivas relacionadas ao tema.
“Não há qualquer irregularidade no procedimento adotado”, rebateu a empresa em nota, garantindo que suas demonstrações financeiras estão “em conformidade com as normas contábeis aplicáveis ao setor público e com respaldo jurídico”. Ainda assim, os auditores do TCU sugerem que os Correios refaçam sua contabilidade num prazo de 90 dias.
Enquanto isso, o dia a dia da operação sofre os efeitos. Segundo o Sintect-SP (sindicato da categoria em São Paulo), a falta de materiais é generalizada. No Rio de Janeiro, conforme informou o presidente do sindicato local, Marcos Sant’Aguida, 17 agências já foram fechadas — muitas delas em imóveis públicos, sem custo de aluguel. Em algumas localidades, como Caraá (RS), os moradores precisam buscar suas encomendas nas agências por falta de carteiros.
A estatal também acumula dívidas com o fundo de previdência Postalis, deixando de repassar duas contribuições patronais que somam R$ 274 milhões. “Estamos em contato direto e constante com os Correios para tratar do atraso no repasse de contribuições da patrocinadora aos planos de previdência complementar”, disse o fundo em nota.
Com cerca de 83 mil empregados e dez mil agências, a empresa anunciou medidas como suspensão de férias, retorno ao expediente integral e um Plano de Demissão Voluntária (PDV). A meta é reduzir o quadro em 3 mil trabalhadores e gerar uma economia de R$ 1,5 bilhão.
Outro fator que teria impactado negativamente as finanças da estatal foi a chamada “taxação das blusinhas” — a nova cobrança de impostos sobre compras internacionais de até US$ 50. Como os Correios eram remunerados pelas plataformas estrangeiras sob isenção fiscal, a mudança na regra favoreceu concorrentes privados, que agora podem oferecer serviços com melhor custo-benefício.
Apesar da crise, a empresa afirma que investiu R$ 830 milhões apenas em 2024, totalizando R$ 1,6 bilhão desde o início da atual gestão, em 2023. Segundo os próprios Correios, somente 15% de suas agências operam com lucro. E mais: Janja já soma mais dias fora do Brasil do que Lula. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: O Globo)

