Lupo vai construir fábrica no Paraguai

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A Lupo, tradicional fabricante brasileira de meias e roupas íntimas, decidiu expandir suas operações para além das fronteiras do Brasil. Em busca de maior competitividade interna diante do avanço das importações de produtos têxteis de baixo custo, a companhia anunciou a construção de sua primeira fábrica no exterior, localizada em Ciudad del Este, no Paraguai.

O investimento de R$ 30 milhões tem como objetivo fortalecer a presença da Lupo no mercado interno e, futuramente, ampliar as vendas para outros países da América do Sul. “O que está acontecendo no Brasil é que a importação é responsável por 52% do mercado nacional. A nossa intenção com essa fábrica no Paraguai é competir com as importações”, afirmou Liliana Aufiero, CEO da Lupo, ao portal NeoFeed.

Vantagens fiscais e estrutura da nova unidade
A escolha pelo Paraguai se deve, em grande parte, às condições fiscais favoráveis oferecidas pelo país. Desde o início dos anos 2000, o governo paraguaio implementou a Lei de Maquila, que concede isenção de impostos para empresas estrangeiras que fabricam produtos no país com foco na exportação. Essa legislação permite um tributo reduzido de apenas 1% sobre a receita de exportação, além de outras vantagens, como suspensão de taxas alfandegárias e isenção de impostos sobre remessas ao exterior.

Os benefícios fiscais, somados ao custo reduzido de energia elétrica e à disponibilidade de mão de obra, foram fatores decisivos para a Lupo. “O Paraguai tem uma cesta de benefícios, como energia elétrica muito mais barata, mão de obra em quantidade abundante. E percebemos que o país tem uma vocação têxtil”, explicou Carlos Mazzeu, diretor-superintendente da empresa ao Neofeed.

A nova fábrica, que começará a operar plenamente no segundo semestre de 2026, terá capacidade para produzir até 20 milhões de pares de meias por ano. Atualmente, a Lupo possui fábricas em Araraquara (SP), Itabuna (BA) e Pacatuba (CE), com uma produção total de 90 milhões de pares de meias anualmente.

Competitividade e desafios do setor
A decisão de expandir para o Paraguai ocorre em um momento de forte concorrência no setor têxtil brasileiro. Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) apontam que o mercado nacional tem sido impactado pela importação de produtos a preços significativamente mais baixos.

“O Paraguai possui um ambiente de negócios amigável, enquanto o Brasil é um país caro e onde as importações já representam 20% do mercado”, afirmou Fernando Pimentel, presidente da Abit.

A produção no Paraguai deve reduzir em cerca de 28% os custos da Lupo em comparação com a fabricação no Brasil. “Vamos conseguir um preço mais competitivo para poder crescer no Brasil”, destacou Aufiero.

O setor têxtil é um dos mais representativos dentro da Lei de Maquila no Paraguai. Entre as 223 indústrias brasileiras que operam sob esse regime em 2024, 32% pertencem ao segmento têxtil, segundo o Ministério da Indústria e Comércio paraguaio.

Enquanto a Lupo aposta nessa nova estratégia para enfrentar a concorrência e expandir sua atuação, representantes da indústria nacional seguem pressionando o governo por melhorias no ambiente de negócios brasileiro. “Cabe a nós, Abit, associações e governo, buscarmos formas para que o Brasil tenha um ambiente de negócios melhor”, concluiu Pimentel.

A Lupo nasceu em Araraquara, interior paulista, na sala de estar da casa do imigrante italiano Henrique Lupo. Nos anos 50, além das meias masculinas, já fabricava também meias infantis e meias finas femininas, que se usavam com cinta-liga.

A partir de 1993, iniciou uma agressiva estratégia de diversificação de suas linhas e, principalmente, foi uma das pioneiras em implantar as lojas para o varejo concentrando em um único ponto de venda, todos os itens produzidos pela Lupo. Deu certo. O processo começou com três lojas Lupo e hoje são mais de 300 franquias em todo o País. E mais: Moraes vota para condenar mulher que escreve ‘perdeu, mané’ em estátua do STF. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: NeoFeed)

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