O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atribuiu ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a responsabilidade pela atual elevação da taxa Selic.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (20) durante participação no programa Bom Dia, Ministro, da EBC. Segundo Haddad, a gestão anterior do BC teria deixado um cenário já encaminhado para os aumentos na taxa de juros.
Conforme explicou o ministro, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic de 13,25% para 14,25% ao ano, um acréscimo de um ponto percentual, e indicou que uma nova alta pode ocorrer na próxima reunião, em maio, mas em “menor magnitude”.
Ainda de acordo com Haddad, na reunião de dezembro de 2024, quando a taxa subiu de 11,25% para 12,25%, foi sinalizada uma trajetória de duas novas altas para 2025.
“O antigo presidente do Banco Central foi nomeado pelo Bolsonaro e ficou dois anos além do mandato do Bolsonaro”, afirmou Haddad. Ele destacou que as decisões tomadas no final da gestão de Campos Neto “contrataram três aumentos bastante pesados na Selic”, o que, segundo ele, dificultou qualquer mudança imediata na condução da política monetária. “Você não pode, na presidência do Banco Central, dar um cavalo de pau depois que assumiu. Isso é uma coisa muito delicada”, acrescentou.
O ministro também comparou a situação do Banco Central com o desafio que enfrentou ao assumir a Fazenda. Segundo Haddad, a atual diretoria do BC tem uma “herança a administrar”, assim como ele teve ao assumir o ministério. O chefe da pasta criticou a gestão do ex-ministro Paulo Guedes e a condução da economia no último ano do governo Bolsonaro.
“Não foi fácil manter o país funcionando depois de 2022. Em 2022 foi feito um estrago nas contas públicas brasileiras para garantir o resultado eleitoral que você não pode imaginar”, disse Haddad.
Apesar das críticas, o ministro elogiou a equipe técnica do Banco Central e afirmou confiar que farão “o melhor pelo país”, embora reconheça que há desafios a serem enfrentados. E mais: Eduardo Bolsonaro vira alvo de deboche em jantar na casa de Moraes, diz colunista. Clique AQUI para ver. (Foto: Ministério da Fazenda; Fonte: Poder360)