Governo Tarcísio testa divisão de alunos por desempenho em escolas estaduais de SP

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O governo de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), lançou um experimento educacional que divide alunos da mesma série em diferentes turmas de acordo com o rendimento escolar.

Chamado de Projeto Voar, o programa será aplicado nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, e tem como objetivo acelerar a aprendizagem dos estudantes com maior dificuldade, promovendo mais equidade dentro das escolas estaduais.

Para a fase piloto, 147 escolas estaduais foram selecionadas. Nessas unidades, os alunos serão distribuídos em duas categorias de turmas: “padrão”, destinada a estudantes com baixa ou nenhuma defasagem de aprendizagem, e “adaptada”, voltada para aqueles com desempenho médio ou alto abaixo do esperado.

Segundo a Secretaria de Educação, comandada por Renato Feder, a medida busca garantir que cada estudante receba atenção adequada ao seu ritmo de aprendizagem, sem prejudicar o desenvolvimento dos demais.

Embora o governo destaque o projeto como novidade, a estratégia de dividir turmas por desempenho já teve ampla aplicação no país, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, mas acabou sendo abandonada na maioria das redes estaduais e municipais.

Além das 147 escolas que participam do piloto, outras 95 unidades foram selecionadas como grupo de controle, sem mudanças na organização das turmas, para que seja possível medir os impactos da experiência de forma comparativa.

A secretaria informou que os resultados serão analisados durante um ano letivo, e caso não se comprovem efeitos positivos, o projeto poderá ser encerrado em 2027.

A alocação dos alunos levou em consideração as notas obtidas em língua portuguesa e matemática no Saresp de 2025. Aqueles que tiveram desempenho abaixo do nível básico para a série em que estão foram direcionados às turmas adaptadas.

Dados da Secretaria de Educação mostram que, das 1.437 turmas de 7º a 9º ano das escolas participantes, 1.059 (74%) serão adaptadas, ou seja, voltadas para alunos com rendimento abaixo do esperado.

O conteúdo programático será o mesmo para as turmas padrão e adaptadas, mas o ritmo das aulas será ajustado. De acordo com o subsecretário pedagógico Daniel Barros, nas turmas adaptadas

“o professor vai explicar com mais calma, pode dar passos para trás no conteúdo e voltar em habilidades que deveriam ter sido aprendidas em séries anteriores”, enquanto nas turmas padrão o ritmo será mantido ou acelerado caso os alunos estejam acompanhando. “O ritmo da turma adaptada será mais devagar”, reforçou.

Para evitar que os estudantes percebam sua classificação, as escolas foram instruídas a usar uma “lógica aleatória” na nomenclatura das turmas, sem indicar explicitamente se são padrão ou adaptadas. Dessa forma, não devem, por exemplo, identificar a turma padrão como “Turma A”.

O projeto também será acompanhado de perto para avaliar possíveis efeitos sobre o desempenho acadêmico, engajamento e autoestima dos alunos.

A Secretaria de Educação enfatiza que a iniciativa visa reduzir desigualdades educacionais e oferecer atendimento pedagógico mais direcionado, especialmente para aqueles com maior defasagem no aprendizado. (Foto: Governo de SP; Fonte: Folha de SP)

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