A Polícia Federal ‘decidiu’ retirar de funções estratégicas os dois principais delegados que atuavam nas investigações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master.
Daniel Mostadeiro Cola e Wedson Cajé serão exonerados da Coordenadoria-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro.
A mudança ocorre após uma reestruturação da área responsável pelos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq). Com a reformulação, caberá ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, indicar novos delegados para as funções.
No dia 9 de outubro, o Ministério da Justiça ampliou o número de cargos comissionados destinados à estrutura.
Embora a exoneração dos cargos administrativos não signifique, necessariamente, o afastamento dos policiais das investigações, fontes ouvidas pelo UOL afirmam que Cola e Cajé também deverão deixar os inquéritos relacionados ao Banco Master.
Os dois investigadores tiveram participação direta na produção de relatórios e informações policiais que identificaram conversas entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Por determinação do ministro André Mendonça, a equipe responsável pela apuração encaminhou à Corte informações sobre mensagens nas quais Vorcaro teria solicitado auxílio a Moraes.
Cola e Cajé também estavam encarregados de elaborar um relatório reunindo todas as menções a ministros do Supremo encontradas nas provas obtidas durante a investigação, especialmente no conteúdo extraído do celular de Vorcaro.
A determinação, atribuída ao presidente do STF, Edson Fachin, era de que o documento apresentasse uma descrição dos fatos identificados e os nomes dos ministros citados. O objetivo seria permitir que o caso fosse submetido à análise do plenário da Corte.
A expectativa no Supremo era de que a Polícia Federal encaminhasse o levantamento durante a primeira semana de novembro, pouco depois do resultado do segundo turno das eleições.
Até o momento, entretanto, o documento não foi enviado à Presidência do tribunal. A saída dos dois delegados de funções estratégicas e a possibilidade de afastamento também das investigações ocorrem justamente enquanto a PF ainda precisa concluir esse levantamento sobre as citações a integrantes da mais alta Corte do país. (Foto: divulgação; Fonte: UOL)

