Clubes brasileiros avaliam paralisar o Campeonato Brasileiro em reação às medidas do Governo Lula contra a atuação das casas de apostas no país.
A possibilidade começou a ser discutida entre dirigentes nesta segunda-feira (28/9) e seria utilizada como forma de pressionar Brasília por alternativas diante do impacto financeiro provocado pela decisão.
A principal preocupação dos clubes está relacionada à publicidade. As empresas de apostas se tornaram importantes patrocinadoras do futebol nacional e a interrupção desses contratos pode representar uma perda significativa de receita para as equipes.
A mobilização dos dirigentes também contribuiu para o cancelamento de uma reunião que estava prevista para esta terça-feira (29/9), em Brasília, com integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Diversos dirigentes sinalizaram que não compareceriam ao encontro, o que acabou inviabilizando a reunião.
Segundo informações do jornal Estado de S.Paulo, a possível paralisação teria pelo menos duas finalidades. Uma delas seria pressionar o governo pela criação de mecanismos de apoio financeiro aos clubes, incluindo uma linha de crédito com juros reduzidos. A proposta já vinha sendo discutida antes da decisão envolvendo as empresas de apostas.
Outra reivindicação é a criação de um período de adaptação para o encerramento da publicidade das bets. Os dirigentes defendem que os contratos atualmente existentes possam permanecer ativos por um prazo entre seis meses e um ano.
O objetivo seria permitir que os clubes encontrem novos patrocinadores e tenham tempo para reorganizar seus planejamentos financeiros.
A movimentação também busca ampliar a participação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nas negociações com o governo.
Nesta terça-feira (29/9), o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para ingressar no processo que discute a medida provisória relacionada às casas de apostas.
A entidade reúne clubes e federações e possui influência da CBF. Para dirigentes envolvidos nas articulações, a iniciativa representa um possível sinal de que a confederação pretende participar de forma mais direta das discussões sobre os efeitos da medida.
Uma eventual paralisação do Brasileirão também teria impacto sobre o calendário do futebol nacional. O cronograma de competições já está apertado na reta final da temporada, o que aumentaria as consequências de uma interrupção dos jogos.
A reunião que ocorreria em Brasília pretendia justamente reunir representantes do governo e dirigentes para discutir alternativas diante das novas regras para as casas de apostas. O encontro, porém, acabou cancelado após a decisão de diversos presidentes de clubes de não participar.
Entre os clubes que aderiram ao movimento está o Corinthians, mesmo sendo considerado uma equipe que mantém interlocução com o governo.
O clube paulista participa das tratativas para obter uma linha de crédito com juros reduzidos destinada ao pagamento de dívidas e também negocia com a Caixa Econômica Federal alternativas relacionadas ao financiamento da Neo Química Arena. (Foto: reprodução; Fonte: Estadão; Metrópoles)

