Janja manifestou ‘solidariedade’ a Michelle Bolsonaro e à senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que recentemente relataram ter sido alvo de ‘ataques’ e ‘ofensas’. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Frente a Frente, do Canal UOL.
Ao comentar o assunto, Janja afirmou que divergências políticas não devem impedir o apoio a mulheres que enfrentam agressões verbais ou ataques à sua reputação.
“Total solidariedade a elas. Eu acho que qualquer mulher agredida, a gente não pode soltar a mão. Não importa qual é o campo ideológico dela.”
A esposa de Lula destacou que questões como violência contra a mulher e misoginia ultrapassam disputas partidárias. “A questão da violência contra a mulher, a misoginia, ela não tem lado. Ela não tem direita nem esquerda, conservadora ou progressista. É uma onda que vem de todos os lados e atinge a todas nós igualmente. É importante que seja dito.”
As declarações ocorrem após Damares Alves afirmar, em discurso no Senado, que mulheres ligadas à direita estariam sendo alvo de supostos ‘ataques’ frequentes nas redes sociais e no debate político. Segundo a parlamentar, Michelle Bolsonaro teria sido uma das principais vítimas.
“Duvidam, inclusive, que a filha seja do ex-presidente da República. Olha aonde chega a maldade, porque mulheres estão com coragem para vir para o processo político”, declarou a senadora.
A polêmica ganhou força depois que Michelle Bolsonaro revelou publicamente desentendimentos com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um vídeo divulgado nas redes sociais, a ex-primeira-dama afirmou ter sido “humilhada” e “maltratada” pelo enteado. Posteriormente, Flávio pediu desculpas, mas novos episódios envolvendo a família continuaram repercutindo no cenário político.
Damares também relatou ter sido alvo de ataques pessoais e afirmou que sua honra foi atingida por boatos e acusações. “Tenho sido vítima dos mais terríveis e vis ataques. Me deram até um amante, aos 62 anos de idade. É claro que estou procurando marido, mas atacar a honra de uma mulher dizendo que sou amante de um pastor, dizendo coisas das mais absurdas que vocês possam imaginar…”
Apesar da solidariedade, Janja afirmou que espera que episódios como esses ajudem a ampliar a compreensão sobre denúncias feitas por mulheres em diferentes contextos. “Acho que é importante que elas tenham entendido que nada do que a gente fala é mimimi.”
Durante a entrevista, Janja também falou sobre o caso da ex-ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, após as denúncias de assédio contra o então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida.
Segundo Janja, o mais importante em situações desse tipo é acolher quem denuncia. “Eu simplesmente apoio. Não vou questioná-la, como muita gente questionou. Em um momento desse, você só tem que apoiar. Tem que dar a mão para ela.”
Questionada sobre o episódio envolvendo Anielle, Janja afirmou que não considera relevante discutir quem tinha conhecimento prévio das acusações.
“Não importa se eu sabia ou não sabia. O que importa é o apoio que a gente dá quando isso vem a público, quando ela fala. O que importa é que a gente estava do lado dela e ficou o tempo todo.”
Ela também disse ter sofrido episódios de assédio ao longo da vida, inclusive durante o período em que ocupa o posto no Palácio do Planalto.
“Não falei porque eu não quis. Porque uma mulher não é obrigada a falar que ela foi [assediada]. Porque ninguém sabe o que uma mulher passa quando ela é assediada, quando ela sofre uma violência. Os homens cobram demais a gente sobre isso [falar sobre o assédio]”, afirmou.
Outro tema abordado foi o combate ao feminicídio. Janja revelou ter tratado do assunto com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, durante conversas voltadas à construção de iniciativas internacionais sobre proteção às mulheres.
“Eu conversei com ela sobre a questão, sobre ela ser uma liderança. A gente tem poucas mulheres líderes. Tem poucas mulheres naquelas mesas. Ela é uma das poucas mulheres, junto com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, que é uma liderança, para poder falar sobre isso para o mundo.”
Segundo Janja, o feminicídio é um tema que exige mobilização global. “Estamos mantendo conversa com ela para a gente poder fazer esse grande pacto.”
Ao longo da entrevista, a primeira-dama também comentou as críticas que recebe por sua atuação pública. Ela afirmou acreditar que parte dos ataques tem motivação política e busca atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“É mais fácil me atingir para atingir o presidente da República. Isso é dado, é fato. Faz parte da estratégia política da extrema direita. Contra isso, não tenho como combater.”. (Foto: EBC; Fonte: UOL)

