Gonet passa ‘raspando’ em recondução à PGR

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Paulo Gonet seguirá à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR) por mais dois anos. O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (12) sua recondução ao cargo, com 45 votos favoráveis e 26 contrários. Eram necessários 41 votos, a chamada maioria absoluta.

Indicado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Gonet teve uma aprovação apertada. Os seus 45 votos só foram 4 a mais do que o mínimo necessário para permanecer no cargo até 2027. Ele está à frente da Procuradoria Geral da República desde 2023.

O resultado também mostra que o chefe do Ministério Público perdeu o apoio de 20 senadores. Em 2023, ele foi aprovado com 65 votos favoráveis e teve apenas 11 contrários.




Mais cedo, no mesmo dia, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já havia aprovado o nome de Gonet por 17 votos a 10, em votação que analisou a mensagem presidencial (MSF 60/2025), sob relatoria do senador Omar Aziz (PSD-AM).
Durante a votação no Plenário, os senadores apresentaram visões opostas sobre a condução de Paulo Gonet à frente da Procuradoria-Geral da República.

Para Jorge Seif (PL-SC), a atual gestão é marcada por uma postura “apagada e subserviente”, ausente quando deveria se posicionar e ativa apenas quando há conveniência política. “O Brasil precisa e merece um Ministério Público altivo e independente”, afirmou.




Já Daniella Ribeiro (PP-PB) declarou voto favorável à recondução de Gonet, destacando sua credibilidade, imparcialidade e compromisso institucional. “Ele [Gonet] é um homem honrado. Sua história o dignifica”, ressaltou a senadora.

Sabatina
A sabatina na CCJ foi marcada pela atuação de Gonet na Procuradoria-Geral da República, com discussões concentradas na condução dos processos relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Paulo Gonet defendeu a atuação da PGR nos processos. Segundo o procurador, houve 715 condenações e 12 absolvições. Outros 606 casos ainda estão em andamento.

Parte dos senadores elogiou sua postura ‘ética, técnica e discreta’, afirmando que ele tem cumprido o papel de procurador-geral com respeito à Constituição e à lei. Outros levantaram críticas quanto à sua independência em relação ao Supremo Tribunal Federal e à forma como conduziu investigações sensíveis.




O momento de maior tensão da sabatina se deu durante a fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fez duras críticas a Gonet e ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

O congressista lamentou a recondução do procurador-geral e acusou Moraes de “fraudar uma decisão” relacionada aos de 8 de janeiro de 2023, baseando-se em reportagem jornalística.

Segundo Flávio, o ministro teria manipulado informações e usado a estrutura do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para complementar a decisão depois que foi publicada.

O congressista também afirmou que Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes, cobrou informações sobre o caso, o que configuraria interferência indevida.




O senador acusou Gonet de investigar quem denunciou as supostas irregularidades, e não as denúncias em si. “Há um jogo combinado, uma manipulação e uma farsa”, disse, afirmando sentir-se “mal” em participar de um processo que considerou “inaceitável num Estado Democrático de Direito”.

 

Currículo
Paulo Gustavo Gonet Branco formou-se em direito pela Universidade de Brasília (UnB) em 1982. Tem mestrado pela Universidade de Essex e doutorado pela UnB.

Em 1986, foi aprovado em primeiro lugar no concurso para promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal. No ano seguinte, passou também em primeiro lugar para o cargo de procurador da República. É procurador-geral da República desde dezembro de 2023, tendo sido indicado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: MPF; Fontes: Ag. Senado; Poder360)

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