Em meio a um novo impasse político em Washington, o presidente norte-americano, Donald Trump, reacendeu uma de suas bandeiras mais antigas: o fim do Obamacare, programa de saúde criado durante o governo de Barack Obama.
A proposta voltou ao centro do debate neste sábado (8), quando Trump defendeu publicamente a substituição do sistema por um modelo em que os recursos federais sejam repassados diretamente à população, sem intermediação das seguradoras.
“Estou recomendando aos republicanos do Senado que as centenas de bilhões de dólares atualmente enviados às companhias de seguro, que sugam dinheiro para salvar o péssimo sistema de saúde do Obamacare, sejam enviados diretamente às pessoas, para que possam comprar seu próprio seguro de saúde, muito melhor, e ainda ter dinheiro sobrando”, escreveu Trump em sua conta no Truth Social.
A declaração veio poucas horas antes de o Senado retomar as sessões para discutir o projeto que restabelece o pagamento de servidores públicos afetados pela paralisação parcial do governo.
O Congresso continua dividido sobre a forma de encerrar o shutdown: enquanto os democratas querem manter os subsídios de saúde previstos pelo Obamacare, que expiram no fim do ano, os republicanos defendem que o foco seja primeiro retomar o funcionamento do governo e depois discutir o sistema de saúde.
Criado em 2010, o Obamacare — oficialmente chamado de Affordable Care Act (Lei de Cuidados Acessíveis) — obriga os cidadãos a contratarem planos médicos, garantindo subsídios federais para famílias de baixa e média renda.
A legislação também impôs restrições às seguradoras, impedindo, por exemplo, que pacientes com doenças pré-existentes fossem recusados. Atualmente, cerca de 40 milhões de norte-americanos dependem do programa para obter assistência médica.
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Desde seu primeiro mandato, Trump tem sido um dos principais críticos da lei. Ele argumenta que o sistema é ineficiente, encarece os custos e aumenta a dependência do Estado. Em 2020, o republicano tentou derrubar o Obamacare no Congresso e recorreu à Suprema Corte, alegando que a obrigatoriedade de adesão e o modelo de subsídios violavam os princípios do livre mercado. A Corte, no entanto, manteve a legislação em vigor em 2021, frustrando o governo.
Agora, Trump tenta retomar a ofensiva com uma nova proposta: um sistema de planos individuais, financiados por recursos federais transferidos diretamente aos cidadãos, que poderiam escolher livremente seus seguros privados.
Segundo o presidente, essa mudança reduziria a burocracia, aumentaria a concorrência entre empresas e permitiria que cada americano tivesse maior controle sobre o próprio atendimento médico.
A ideia, porém, enfrenta forte resistência entre democratas, que afirmam que o fim do Obamacare deixaria milhões de pessoas sem cobertura, especialmente trabalhadores informais e famílias de baixa renda.
Mesmo assim, a proposta reacende o embate ideológico entre o papel do Estado e o livre mercado na saúde dos Estados Unidos — um tema que promete dominar o debate político até as eleições de 2026. (Foto: redes sociais; Fonte: Poder360)

