O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou que pretende disputar a Presidência da República em 2026, caso o pai, Jair Bolsonaro, siga inelegível e preso em domiciliar.
Em entrevista exclusiva ao SBT, o parlamentar afirmou que não desistirá da candidatura, mesmo que o partido ou o próprio ex-presidente apoiem outro nome da direita.
“Eu acho que há um espaço, a robustez numa candidatura com o sobrenome Bolsonaro. Acho que estou no meu terceiro mandato, que sou uma pessoa que é conhecida da sociedade, coloco sempre as minhas opiniões à disposição do escrutínio público. Acredito que nós estamos no momento em que estou maduro o suficiente. A única coisa que me fará não ser candidato é a candidatura do presidente Jair Bolsonaro”, declarou.
Eduardo também comentou a situação do pai: “Na condição que Bolsonaro está hoje, que considero na condição de refém, nós não podemos exigir dele que seja feita uma livre tomada de decisão. Se as estratégias dos nossos opositores forçarem Bolsonaro a tomar qualquer tipo de decisão, eu estou aqui para derrubar essa estratégia e vou obrigar o regime brasileiro a se expor.”
?VEJA – Eduardo Bolsonaro diz que só não será candidato se seu pai for, mas, como ele é refém, não pode tomar livres decisões
“Caso eles forcem Bolsonaro, que está na condição de refém, a tomar decisão que não será livre, eu ainda assim estarei disposto a lançar candidatura” pic.twitter.com/umDaOxoIqY
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) October 5, 2025
Atualmente morando nos Estados Unidos, onde vive desde fevereiro, o deputado não pretende retornar ao Brasil por receio de ser preso. Ele afirmou que pode fazer uma campanha à distância, aproveitando sua força nas redes sociais.
“Se eu retornar ao Brasil agora, vou ser preso mesmo sem ter cometido nenhum tipo de crime. Somos muito fortes na rede social. Acredito que a gente consegue fazer a nossa mensagem chegar a várias pessoas do Brasil”, disse.
Eduardo lembrou ainda do exemplo histórico do presidente Epitácio Pessoa, eleito em 1919 mesmo estando em Paris durante a campanha: “A gente já teve no passado do Brasil mesmo antes das redes sociais, né? Na virada do século 19 para o 20, tivemos 100 anos atrás um presidente que foi eleito mesmo estando fora do país, então isso daí não seria novidade.”
O parlamentar afirmou manter diálogo com o Partido Liberal em busca de apoio. “O PL é o maior partido da Câmara, é o atual partido do presidente Bolsonaro. Gostaria, por óbvio, de continuar no PL, mas também entendo que é necessário haver um suporte. Vou fazer essas tratativas de maneira interna”, declarou.
Questionado sobre supostas críticas internas à sua atuação no exterior, Eduardo negou qualquer tipo de desentendimento com a família ou aliados.
“Nunca chegou até mim nenhum tipo de recado falando que Bolsonaro teria puxado minha orelha, que meu pai teria falado isso ou aquilo. Eu vejo pela imprensa, mas eu não consegui ter a materialidade para realmente verificar se isso daí era verdade ou apenas boato. De qualquer maneira, nada disso vai me brecar”, afirmou.
Ele também negou as acusações da Procuradoria-Geral da República, que o investiga por suposta coação para interferir nos processos contra Jair Bolsonaro. “Isso visa me tirar do pleito de 2026. É estratégia”, disse o deputado, destacando que mantém boas relações com membros do governo de Donald Trump.
Defensor de uma anistia ampla, geral e irrestrita, Eduardo afirmou que o projeto seria o único caminho para “pacificar o país”. “A única possibilidade de nós realmente pacificarmos o país é uma anistia baseada nos fatos, tendo como marco inicial 2019. Qualquer jeitinho brasileiro, qualquer gambiarra sobre isso daí não terá o condão de reduzir a temperatura que vem do exterior”, declarou.
Por fim, o deputado alertou para possíveis novas sanções internacionais contra autoridades brasileiras: “Cada vez mais, instituições aconselhando a retirar o seu dinheiro do Brasil vai, provavelmente, continuar. Falo provavelmente porque eu não sou o dono da caneta, mas consigo enxergar que continuará uma pressão vinda dos Estados Unidos e dando sequência a sanções a outros atores do entorno de Moraes. Talvez outros ministros da Suprema Corte, talvez delegados da Polícia Federal”, afirmou.

