Um gesto que repercutiu nas redes sociais pode render uma multa. O homem que retirou uma rede de pesca presa a uma baleia-franca em Palhoça, no litoral de Santa Catarina, está sendo investigado pelo Ibama. O órgão avalia se a intervenção, feita sem autorização, causou algum impacto negativo à baleia ou ao filhote.
As imagens do resgate viralizaram no fim de semana e foram registradas pelo fotógrafo Carlos Anselmo, que já acompanhava o comportamento da baleia e do filhote na Praia da Pinheira há alguns dias. O responsável pela retirada da rede, identificado como Marcos Antonio, declarou em suas redes sociais que a ação foi planejada. “A gente não viu nenhuma ação efetiva. Resolvemos agir com responsabilidade para aliviar o sofrimento da baleia”, afirmou.
Segundo ele, a decisão foi tomada em conjunto com Anselmo, que monitorava a dupla com um drone. Marcos contou que utilizou um instrumento improvisado para cortar a rede e teve cuidado para não assustar os animais. A motivação teria sido a falta de ação do Ibama após três dias de observação. O caso ganhou ainda mais repercussão após outro homem, João Paulo, também alegar ter sido o autor do resgate.
O Ibama, por sua vez, informou que vinha acompanhando o caso desde 10 de julho e não constatou ferimentos no animal. “A rede estava presa superficialmente às calosidades da cabeça e não causava ferimentos, interferência na amamentação ou risco imediato”, afirmou o órgão. Ainda segundo o instituto, o protocolo internacional para esse tipo de situação, especialmente quando há filhote, orienta evitar intervenções que possam gerar estresse ou prejudicar o vínculo entre mãe e cria.
A entidade também destacou que resgates de grandes cetáceos devem seguir a portaria conjunta nº 03/2024, do Ministério do Meio Ambiente, do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que determina que apenas equipes capacitadas e autorizadas realizem esse tipo de operação.
Agora, o Ibama apura se a atitude de Marcos violou essa norma e se haverá sanções administrativas pela intervenção não autorizada. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: UOL)
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