O clima nos mercados financeiros foi de forte turbulência nesta sexta-feira (4), após a China anunciar tarifas retaliatórias de 34% sobre importações dos Estados Unidos, em resposta à medida semelhante adotada pelo presidente norte-americano Donald Trump. A tensão elevou os temores de uma guerra comercial global e derrubou bolsas em diversos continentes.
No Brasil, o Ibovespa sofreu um tombo de 2,96%, encerrando aos 127.256 pontos, a maior queda diária desde 18 de dezembro. O dólar comercial disparou 3,72%, fechando cotado a R$ 5,8382 — maior alta percentual em um único dia desde novembro de 2022.
Em Wall Street, o pessimismo também dominou: o S&P 500 caiu 5,63%, o Nasdaq 100 recuou 5,52% e o Dow Jones perdeu 5,09%. Na Europa, o cenário não foi diferente. O índice Stoxx 600 afundou 5,1%, com perdas generalizadas em Londres (FTSE 100 -4,95%), Frankfurt (DAX -4,95%), Paris (CAC 40 -4,26%), Madri (Ibex 35 -5,83%) e Milão (FTSE MIB -6,53%).
A Ásia também sentiu os efeitos, com o Nikkei caindo 2,75% e registrando o pior patamar desde agosto de 2023. O mercado australiano entrou oficialmente em território de correção. Na China continental, em Hong Kong e Taiwan, as bolsas estavam fechadas por conta de feriado.
A escalada na disputa comercial provocou uma onda de liquidação de ações, especialmente de bancos. No Japão, as perdas semanais dos três maiores bancos superaram 20%, pior resultado desde a crise de 2008. A aversão global ao risco se intensificou diante da possibilidade de recessão, levando investidores a abandonar ativos mais arriscados.
Trump havia anunciado na quarta-feira novas tarifas de 34% sobre produtos chineses, somando-se a outras de 20% aplicadas anteriormente, totalizando 54%. Ele também propôs um piso de 10% sobre todas as importações, com valores mais altos para países específicos.
No Brasil, apesar da exclusão do país de tarifas mais elevadas — limitado à alíquota mínima de 10% — o cenário de alívio visto na véspera, quando o dólar havia recuado 1,18%, deu lugar ao nervosismo.
O mercado também acompanhava dados positivos dos EUA: em março, foram criados 228 mil empregos, bem acima dos 135 mil esperados. A aceleração do mercado de trabalho alimentou projeções de que o Federal Reserve possa realizar até quatro cortes na taxa de juros neste ano, frente às duas reduções antes previstas. E mais: Zanin rejeita habeas corpus coletivo para presos do ‘8 de Janeiro’. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: CNN)