O governo Lula está em alerta diante da possibilidade de os Estados Unidos ampliarem as tarifas sobre produtos nacionais. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a equipe de Luiz Inácio Lula da Silva teme que Donald Trump implemente medidas que vão além das barreiras já anunciadas sobre aço e alumínio, atingindo um espectro mais amplo das exportações do Brasil.
De acordo com a Folha, o cenário mais extremo avaliado pelo Palácio do Planalto envolve a imposição de um imposto linear sobre praticamente todos os produtos brasileiros exportados para os EUA. A preocupação se intensificou com as declarações de integrantes do governo Trump e reportagens na imprensa americana.
Em entrevista à Fox Business, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, explicou a abordagem que será adotada para definir a nova política tarifária:
“No dia 2 de abril, nós vamos produzir uma lista das tarifas dos outros países e vamos dizer a eles: aqui está o que achamos sobre as suas tarifas, [sobre] barreiras não tarifárias, manipulação de câmbio, subsídios injustos e supressão de direitos trabalhistas. Se vocês pararem com isso, nós não vamos erguer a muralha tarifária. Caso contrário, vamos erguer a muralha tarifária para proteger nossa economia, nossos trabalhadores e nossa indústria.”
Bessent também indicou que cada país receberá uma classificação específica: “Cada país vai receber um número que, acreditamos, representa as suas tarifas. Então, para alguns países, poderia ser [uma tarifa] baixa. Para alguns, poderia ser bastante alta.”
A administração Biden já havia classificado o Brasil como um país que impõe “tarifas relativamente altas sobre importações em uma ampla gama de setores”, conforme relatório do USTR (Representante de Comércio dos EUA). O documento aponta que a tarifa média brasileira é de 11,1%.
O temor do governo Lula, de acordo com a Folha, justificar-se-ia pelo peso da exportação industrial para os EUA. Segundo relatório da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), as exportações industriais brasileiras para os EUA somaram US$ 31,6 bilhões em 2024, tornando o país norte-americano o maior destino dos produtos do setor.
O governo brasileiro segue em negociações discretas com Washington para tentar evitar impactos negativos, mas ainda não há clareza sobre o que Trump anunciará em abril. E mais: Ex-ministro de Bolsonaro alerta para risco recessão ‘que se avizinha’ no Brasil. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Folha de SP)