O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reconheceu, em entrevista à Folha, que chegou a discutir com sua equipe a possibilidade de decretar estado de sítio, estado de defesa e intervenção federal durante 2022. No entanto, ele afirmou que essas opções foram descartadas “logo de cara”.
O ex-presidente, que nesta semana se tornou réu no STF sob a acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado, responde por cinco crimes que, somados, podem ultrapassar 40 anos de prisão. Questionado se uma eventual condenação significaria o fim de sua trajetória política, Bolsonaro respondeu: “É o fim da minha vida. Eu já estou com 70 anos”.
A entrevista foi concedida na sede do PL, onde ele também comentou a delação do tenente-coronel Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens. Veja trechos abaixo e clique AQUI para ver na íntegra no UOL.
O sr. falou que conversou já com auxiliares sobre alternativas, mas não sobre ruptura. Quais foram essas alternativas? Eu não esperava o resultado [das eleições]. Nós entramos com a petição e, no dia seguinte, o senhor Alexandre Moraes mandou arquivar e nos deu uma multa de R$ 22 milhões. Se a gente recorresse, podia passar para R$ 200 milhões. Se eu não vou recorrer à Justiça Eleitoral, pode ir para onde? Eu conversei com as pessoas, dentro das quatro linhas, que vocês estão cansados de ouvir, o que a gente pode fazer? Daí foi olhado lá, [estado de] sítio, [estado de] defesa, [artigo] 142, intervenção…
Essas foram as possibilidades discutidas na época? É, não foi decisão. Reuni duas vezes com os comandantes militares, com umas outras pessoas perdidas por ali. Mas nada com muita profundidade, porque quando você perde a eleição, você fica um peixe fora d’água. Metade do seu ministério, você tem que tomar cuidado para conversar com os caras, né? E também eles querem voltar à normalidade da vida deles, você não pode botar pressão em cima deles. E daí, no depoimento do comandante do Exército, ele fala que foi discutida possibilidade de dispositivos constitucionais. Qual o problema? Nenhum. O PGR falou de estado de defesa ou sítio. Primeiro passo é convocar os conselhos da República e da Defesa. Isso não foi convocado, não houve nem cogitação de nada.
Discutir uma alternativa com os militares que fosse para impedir o presidente Lula de assumir o mandato não seria uma tentativa de golpe de Estado? Golpe não tem Constituição. Um golpe, a história nos mostra, você não resolve em meses. Anos. E, para você dar um golpe, ao arrepio das leis, você tem que buscar como é que está a imprensa, quem vai ser nosso porta-voz, empresarial, núcleos religiosos, Parlamento, fora do Brasil. O “after day”, como é que fica? Então foi descartado logo de cara.
E o sr. se arrepende de ter discutido essas alternativas que o levam hoje a ser julgado pela trama golpista? Clique AQUI para seguir na entrevista e, abaixo, assista a trechos da conversa.