A SpaceX, empresa de Elon Musk, anunciou na quinta-feira (8) um acordo para adquirir um portfólio de frequências de baixa frequência nos Estados Unidos, ampliando seus planos de transformar a Starlink em uma operadora de telefonia móvel.
A movimentação pressionou as ações de empresas tradicionais do setor. No Brasil, Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) também registraram quedas na sexta-feira (9), de 5,25%, a R$ 30,35, e 4,18%, a R$ 18,10, respectivamente.
O avanço da companhia americana reacendeu uma dúvida entre investidores: a SpaceX poderá adotar no Brasil o mesmo modelo de telefonia móvel que começa a desenvolver nos Estados Unidos?
Em relatório divulgado nesta sexta-feira, o UBS BB afirma que ainda não há uma resposta definitiva. Segundo o banco, existem sinais consistentes de que a Starlink pretende ampliar sua atuação em conectividade móvel no país, mas não há evidências concretas de que a empresa planeje se tornar uma operadora tradicional, com rede terrestre própria.
O Brasil é considerado um mercado estratégico para a Starlink e estaria entre os três maiores do mundo para a companhia. Por isso, o país poderia estar entre os candidatos a receber uma eventual expansão internacional do modelo americano.
**Diferenças entre Brasil e Estados Unidos**
Nos Estados Unidos, a SpaceX combina a expansão de sua rede de satélites com tecnologias de conexão direta entre satélites e celulares, conhecidas como D2D, além de movimentos para ampliar seu acesso a frequências terrestres. A aquisição de espectro de 800 MHz integra essa estratégia.
Frequências mais baixas são importantes porque podem ampliar a cobertura e melhorar a propagação do sinal em determinadas condições, inclusive em ambientes internos. A estratégia americana busca combinar conectividade via satélite e recursos terrestres para oferecer serviços móveis mais abrangentes.
No Brasil, a Starlink já possui uma rede de satélites em operação e desenvolve iniciativas relacionadas à comunicação direta com celulares. Entretanto, ainda faltam elementos importantes para reproduzir o modelo americano, como um portfólio próprio de frequências terrestres, infraestrutura de rede e uma estrutura integrada de operadora móvel.
Um dos pontos acompanhados pelo UBS BB é a faixa de 850 MHz, considerada potencialmente relevante para uma futura expansão. Segundo o banco, não há impedimento regulatório evidente que exclua a SpaceX de participar de futuros leilões da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), desde que cumpra as exigências aplicáveis.
**Parcerias são o caminho mais provável**
O UBS BB afirma ter identificado iniciativas da SpaceX para ampliar os serviços móveis no Brasil. Entre elas estão pedidos relacionados ao espectro S-Band, discussões com reguladores sobre voz, mensagens e banda larga via satélite e medidas para viabilizar a tecnologia D2D com espectro de uma operadora parceira.
Apesar desses movimentos, a avaliação do banco é que a alternativa mais provável, neste momento, continua sendo a formação de parcerias com empresas locais. Nesse cenário, a Starlink poderia oferecer serviços complementares utilizando frequências licenciadas por operadoras brasileiras, em vez de construir imediatamente uma rede terrestre própria.
O relatório menciona ainda notícias sobre conversas envolvendo a Vivo. O modelo seria semelhante à parceria inicialmente estabelecida entre Starlink e T-Mobile nos Estados Unidos, antes da ampliação dos planos da SpaceX para adquirir espectro próprio.
Por outro lado, o UBS BB ressalta que não encontrou evidências públicas de que a empresa tenha demonstrado interesse em leilões brasileiros de 850 MHz, solicitado frequências terrestres para telefonia móvel ou anunciado planos de construir uma infraestrutura própria para concorrer diretamente com Vivo, TIM e Claro.
A ausência desses sinais, porém, não descarta mudanças futuras na estratégia.
Para os investidores, os próximos passos a acompanhar incluem eventuais participações da SpaceX em leilões de frequências, aquisições de ativos de espectro, investimentos em infraestrutura terrestre e alterações regulatórias que indiquem uma atuação mais ampla no mercado móvel.
Por enquanto, a expansão da conectividade via satélite e a possibilidade de oferecer serviços diretamente a celulares já aparecem no horizonte brasileiro. A transformação da SpaceX em uma quarta grande operadora nacional, contudo, permanece como uma hipótese, e não como um plano comprovado. (Foto: reprodução; Fonte: Exame)
