O registro da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República foi temporariamente impedido após uma alteração em seus dados de filiação partidária na Justiça Eleitoral. O senador passou a aparecer como integrante do Partido Missão, do MBL, legenda que lançou Renan Santos como candidato ao Palácio do Planalto.
Integrantes da campanha de Flávio afirmaram que a mudança foi resultado de uma fraude. Segundo a equipe do candidato, a filiação ao Missão teria sido registrada às 23h17 de quarta-feira (12), evidentemente sem autorização do senador.
A informação consta na certidão de filiação partidária disponível no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento registra a saída de Flávio do Partido Liberal e aponta que ele esteve filiado ao PL entre 8 de dezembro de 2021 e 12 de agosto de 2026.
A alteração criou um obstáculo para o registro da candidatura presidencial, já que Flávio passou a constar oficialmente como integrante de uma legenda que já possui outro candidato ao cargo.
A equipe do senador defende que o episódio seja investigado e classifica o ocorrido como uma “molecagem”. Segundo integrantes da campanha, a expectativa é de que a situação seja corrigida ainda nesta quinta-feira (13), permitindo que o pedido de registro seja apresentado dentro do prazo eleitoral, até 15 de agosto.
O caso chamou atenção porque, segundo informações repassadas pela campanha, o sistema do TSE teria solicitado dados adicionais antes de efetivar a alteração. O acesso para realizar modificações desse tipo é restrito, o que levou os aliados de Flávio a questionarem como a filiação teria sido registrada.
O próprio TSE informou que não houve invasão ou hackeamento de sua plataforma. De acordo com o tribunal, a mudança foi realizada por um representante do Partido Missão.
A certidão emitida pela Justiça Eleitoral também esclarece que as informações de filiação são inseridas sob responsabilidade das próprias legendas. O documento afirma: “A regularidade de filiação partidária é aferida com base em lançamento feito sob responsabilidade do partido político”.
O Partido Missão, que tem Renan Santos como candidato à Presidência, afirmou que também considera o episódio uma tentativa de filiação fraudulenta.
Em nota, a legenda declarou ter comunicado o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre o problema em 2 de agosto. Segundo o partido, os e-mails encaminhados foram visualizados, mas não receberam resposta.
A sigla informou ainda que acionou a Polícia Federal e o TSE para apurar o episódio e identificar os responsáveis pela alteração dos dados. “A fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos. Um relatório com todos os logs, e-mails e IPs será disponibilizado para a imprensa e autoridades”, afirmou o partido.
Na manifestação, o Missão também declarou não ter interesse na filiação do senador e aproveitou o episódio para fazer críticas políticas ao parlamentar.
“Ressaltamos, ainda, que não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção.”
Ao final da nota, a legenda reiterou sua posição contra alterações fraudulentas nos registros partidários. “O Partido Missão reafirma que não compactua com filiações de natureza fraudulenta e repudia veementemente episódios dessa natureza. Colocamo-nos à disposição das autoridades competentes para a completa apuração dos fatos.”
O prazo para que os partidos apresentem os pedidos de registro de candidaturas termina em 15 de agosto, conforme o calendário eleitoral. A mesma data vale para candidatos aos governos estaduais, Câmara dos Deputados e Senado. (Foto: divulgação PL; Fonte: UOL)
O que mais impressiona nessa fraude é que o Senador foi filiado ao Missão no dia 12 e só agora que ambos os partidos descobriram. pic.twitter.com/CJ4jJO3rha
— Sam Pancher (@SamPancher) August 13, 2026

