Lula se revolta e dá bronca em seu Ministro das Relações Exteriores

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se irritou com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após a divulgação de um documento oficial do Itamaraty que mencionava a possibilidade de uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro.

Segundo informações do Poder360, Lula telefonou ao chanceler para afirmar que considerava um erro o envio do documento ao Congresso Nacional.

O texto foi elaborado em resposta a um requerimento apresentado pelo deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), que questionava quais poderiam ser as consequências da decisão do governo norte-americano de classificar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Antes mesmo da manifestação do Itamaraty, o Departamento de Estado dos Estados Unidos já havia descartado publicamente qualquer possibilidade de intervenção militar no Brasil.

Posteriormente, na quarta-feira (8), o governo norte-americano voltou a rebater a interpretação contida no documento brasileiro, classificando a hipótese como “absurda” e reiterando que suas medidas têm como objetivo combater organizações classificadas como narcoterroristas dentro de suas prerrogativas soberanas.

O fato de a avaliação ter sido formalizada em um documento oficial encaminhado à Câmara dos Deputados aumentou o desconforto dentro do Palácio do Planalto e também entre integrantes das Forças Armadas. De acordo com a apuração do veículo, Lula considerou que esse tipo de análise extrapola as atribuições do Ministério das Relações Exteriores.

Além da repercussão no governo federal, a declaração atribuída ao chanceler também gerou incômodo entre diplomatas brasileiros e representantes da Embaixada dos Estados Unidos, que, segundo relatos, trabalham para reduzir os impactos da controvérsia nas relações entre os dois países.

A repercussão política levou as Comissões de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e do Senado a convocarem Mauro Vieira para prestar esclarecimentos. Parlamentares pretendem questionar quais fundamentos técnicos e diplomáticos embasaram a avaliação apresentada pelo Itamaraty.

Nos bastidores da diplomacia brasileira, a justificativa para a análise estaria relacionada ao entendimento de que ações militares recentes dos Estados Unidos em outras regiões, como operações no oceano Pacífico e no mar do Caribe, além de uma eventual intervenção na Venezuela, poderiam ser interpretadas como precedentes para cenários semelhantes em outros países.

Diplomatas que concordam com o conteúdo do documento afirmam que a hipótese foi elaborada com base em um chamado “cálculo de risco”, expressão utilizada no meio diplomático para avaliar cenários considerados improváveis, mas que não podem ser completamente descartados.

Segundo essa corrente de avaliação, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas poderia, em tese, abrir espaço para uma eventual operação militar autorizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), sem necessidade de aprovação do Congresso norte-americano.

Essa possibilidade, entretanto, já foi rejeitada oficialmente pelo próprio governo dos Estados Unidos, que reiterou não haver qualquer intenção de realizar uma intervenção militar em território brasileiro. E mais: Flávio Bolsonaro manda recado a Michelle. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio; Fonte: Poder360)

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