O advogado-geral da União, Jorge Messias, viveu uma forte movimentação política e institucional nas horas seguintes à rejeição de seu nome pelo Senado Federal para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) — um desfecho inédito desde 1894. Logo após a votação, ele passou a receber ligações e mensagens de apoio de integrantes da própria Corte.
Segundo relatos de aliados ouvidos pela jornalista Malu Gaspar, parte desses contatos ocorreu quando Messias estava na residência do ministro André Mendonça, para onde seguiu após se reunir com Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada.
Entre os que telefonaram para prestar solidariedade estão Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes, que manifestaram surpresa e desconforto com o resultado da votação.
Em meio às manifestações de apoio, no entanto, um nome se destaca pela ausência de diálogo direto: Alexandre de Moraes.
Pessoas próximas ao advogado-geral da União afirmam que Messias evita atender ou retornar contatos do magistrado, após episódios de tensão durante o processo de articulação no Senado.
De acordo com interlocutores, Messias avalia como negativa a atuação de Moraes nos bastidores da votação. O ministro teria sido citado como um dos responsáveis por articulações junto a senadores durante o período da sabatina, incluindo diálogos com parlamentares sobre a indicação.
Nos bastidores, a leitura de aliados é de que Moraes temia impactos políticos da eventual nomeação de Messias para o STF, especialmente no equilíbrio interno da Corte. Ainda assim, mesmo após a repercussão pública do caso, o ministro teria tentado contato com o advogado-geral da União, sem sucesso.
Questionado, o Supremo Tribunal Federal informou que não se manifestaria sobre o episódio até o fechamento desta reportagem.
O clima de desgaste político levou Messias a comunicar ao presidente Lula a intenção de deixar o comando da Advocacia-Geral da União.
Segundo aliados, ele avalia que o cargo exige interlocução constante com ministros do STF e lideranças do Congresso, o que teria se tornado insustentável após a rejeição de sua indicação.
Entre os nomes citados como parte desse rompimento institucional estariam também o ministro Flávio Dino e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ambos envolvidos direta ou indiretamente no processo de articulação no Legislativo.
Dino, segundo relatos, não teria feito contato com Messias após o resultado da votação. Já Alcolumbre também não teria procurado o advogado-geral da União durante o período em que a indicação permaneceu travada no Congresso.
Após a derrota no Senado, Messias participou de reuniões no Palácio da Alvorada e, em seguida, foi até a casa do ministro André Mendonça, onde permaneceu até a madrugada.
Mendonça, aliado próximo, buscou demonstrar apoio público ao colega, afirmando que “Amigo verdadeiro não está presente nas festas; está presente nos momentos difíceis. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!”.
Em resposta, o advogado-geral da União agradeceu o gesto e afirmou que o apoio recebido de Mendonça foi “uma das maiores honras” de sua vida, destacando ainda que a postura do ministro do STF representou “integridade, bondade e coerência, servindo como uma fonte de inspiração para toda uma geração de magistrados”. (Foto: Ag. Senado; Fonte: O Globo)

